quarta-feira, 22 de junho de 2011

SANTOS JOÃO FISHER E TOMÁS MORE

SANTOS JOÃO FISHER E TOMÁS MORE

Mártires

Memória

– Um testemunho de fé até o martírio.

– Fortaleza e vida de oração.

– Coerência cristã e unidade de vida.

João Fisher foi ordenado sacerdote em 1491. Exerceu diversos cargos na Universidade de Cambridge, ao mesmo tempo que assumia a direção espiritual da Rainha Margarida, mãe de Henrique VII, passando a ocupar mais tarde a cátedra de Teologia que a rainha fundara nessa Universidade. Em princípios de 1504, foi nomeado reitor de Cambridge, e no final do ano sagrado bispo de Rochester, a menor e mais pobre diocese da Inglaterra; dois dias mais tarde, tomou posse do seu posto como membro do Conselho do Rei.

Tomás More fez estudos de Literatura e Filosofia em Oxford e de Direito em New Inn. Em 1504, foi eleito membro do Parlamento e ocupou diversos cargos públicos, alcançando um grande prestígio pelo seu conhecimento das leis e pela sua honradez. Apesar da sua intensa vida profissional, sempre arranjou tempo para se dedicar à família, sua grande ocupação, e aos estudos literários ou históricos; publicou vários livros e ensaios. Em 1529, foi nomeado Lord-Chanceler da Inglaterra, apesar de já ter respondido claramente ao Rei que não podia estar de acordo com a dissolução do casamento real.

Ambos morreram decapitados em 1535 por se terem negado a reconhecer a supremacia de Henrique VIII sobre a Igreja da Inglaterra e a anulação do casamento do Rei.

I. EM 1534, NA INGLATERRA, exigiu-se de todos os cidadãos que jurassem a Ata de Sucessão, pela qual se reconhecia como verdadeiro casamento a união de Henrique VIII com Ana Bolena. O Rei era proclamado Chefe supremo da Igreja na Inglaterra, negando-se ao Papa qualquer autoridade. João Fisher, bispo de Rochester, e Tomás More, Chanceler do Reino, recusaram-se a jurar a Ata, e foram encarcerados em abril de 1534 e decapitados no ano seguinte.

Num momento em que muitos se dobraram à vontade real, incluídos os bispos, o juramento desses homens teria passado despercebido e eles teriam conservado a vida, os bens e os cargos, como tantos outros1. No entanto, ambos foram fiéis à fé até o martírio. Souberam dar a vida porque foram homens que viveram plenamente a sua vocação cristã, até as últimas conseqüências.

Tomás More é uma figura muito próxima de nós, pois foi um cristão corrente, que soube compaginar bem a sua vocação de pai de família com a profissão de advogado e mais tarde com a responsabilidade de Chanceler do Reino, logo abaixo do Rei, numa perfeita unidade de vida. Desenvolvia-se no mundo como se estivesse na sua própria casa; amava todas as realidades humanas que constituíam a trama da sua vida, onde Deus o quis. Ao mesmo tempo, viveu um desprendimento dos bens e um amor à Cruz tão grandes que se pode dizer que deles extraiu toda a sua fortaleza e coragem.

Tomás More tinha o costume de meditar todas as sextas-feiras nalguma passagem da Paixão de Nosso Senhor. Quando os filhos ou a esposa se queixavam das dificuldades e contrariedades do dia-a-dia, dizia-lhes que não podiam pretender “ir para o Céu num colchão de penas” e recordava-lhes os sofrimentos padecidos por Cristo, e que o servo não é maior do que o seu senhor. Além de aproveitar as contrariedades para identificar-se com a Cruz, More fazia outras penitências. Levava freqüentemente à flor da pele, escondida, uma camisa de pêlo áspero. Foi fiel a esta prática durante a prisão na Torre de Londres, apesar de não serem pequeno incômodo o frio, a umidade da cela e as privações de todo o tipo que passou naqueles longos meses2. Encontrou na Cruz a sua fortaleza.

Nós, que procuramos seguir Cristo de perto no meio do mundo e dar dEle um testemunho silencioso, encontramos forças e coragem no desprendimento, no sacrifício diário e na oração?

II. QUANDO TOMÁS MORE teve que pedir demissão do seu cargo de Lord-Chanceler, por não concordar em jurar a Ata, reuniu os familiares para expor-lhes o futuro que os aguardava e tomar medidas em relação à situação econômica. “Vivi – disse-lhes, resumindo a sua carreira – em Oxford, na hospedaria da Chancelaria..., e também na Corte do rei..., do mais baixo ao mais alto. Atualmente, disponho de pouco mais de cem libras por ano. Se temos de continuar juntos, todos devemos contribuir com a nossa parte; penso que o melhor para nós é não descermos de uma só vez ao nível mais baixo”. E sugere-lhes uma acomodação gradual, recordando-lhes que se podia viver feliz em cada nível. E se nem sequer pudessem sustentar-se no nível mais baixo, aquele que vivera em Oxford, “então – disse-lhes com paz e bom humor – resta-nos a esperança de irmos juntos pedir esmola, com sacolas e bolsas, e confiar em que alguma boa pessoa sinta compaixão de nós [...]; mas mesmo então haveremos de manter-nos juntos, unidos e felizes”3.

Nunca permitiu que nada quebrasse a unidade e a paz familiar, nem mesmo quando se ausentava ou quando foi preso. Viveu desprendido dos bens enquanto os teve, e alegre quando deixou de contar com o indispensável. Sempre soube estar à altura das circunstâncias. Sabia como celebrar um acontecimento, mesmo na prisão. Um biógrafo, seu contemporâneo, diz que, estando preso na Torre, costumava vestir-se com mais elegância nos dias de festa importantes, na medida em que o seu escasso vestuário lho permitia. Sempre manteve a alegria e o bom humor, mesmo no momento em que subia ao cadafalso, porque se apoiou firmemente na oração.

“Dai-me, meu bom Senhor, a graça de esforçar-me por conseguir as coisas que te peço na oração”, rezava. Não esperava que Deus fizesse por ele o que, com um pouco de esforço, podia conseguir por si mesmo. Trabalhou com empenho ao longo de toda a vida até chegar a ser um advogado de prestígio antes de ser nomeado Chanceler, mas nunca esqueceu a necessidade da oração, ainda que muitas vezes não lhe fosse fácil, sobretudo nas circunstâncias tão dramáticas do processo e dos meses de absoluto isolamento na prisão, enquanto esperava o dia da execução. Nesses dias derradeiros, escreveu uma longa oração em que, entre muitas piedosas e comovedoras considerações de um homem ciente de que vai morrer, exclamava: “Dai-me, meu Senhor, um anelo grande de estar convosco, não para evitar as calamidades deste pobre mundo, nem as penas do purgatório ou tampouco as do inferno, nem para alcançar as alegrias do Céu, nem por consideração do meu proveito, mas simplesmente por autêntico amor a Ti”4.

São Tomás More apresenta-se sempre aos nossos olhos como um homem de oração; assim pôde ser fiel aos seus compromissos como cidadão e como fiel cristão em todas as circunstâncias, em perfeita unidade de vida. Assim devemos ser todos e cada um de nós. “Católico, sem oração?... É como um soldado sem armas”, diz Mons. Escrivá5.

III. GIVE ME THY GRACE, good Lord, to set the world at nought... “Dai-me a vossa graça, meu bom Senhor, para que tenha o mundo em nada, para que a minha mente esteja bem unida a Vós e não dependa das variáveis opiniões alheias [...]; para que pense em Deus com alegria e implore ternamente a sua ajuda; para que me apóie na fortaleza de Deus e me esforce ansiosamente por amá-lo...; para lhe dar graças sem cessar pelos seus benefícios; para redimir o tempo que perdi...”6 Assim escrevia o Santo nas margens doLivro das Horas que tinha na Torre de Londres. Eram os dias em que se consagrava a contemplar a Paixão, preparando assim a sua própria morte em união com Cristo na Cruz.

Mas São Tomás More não viveu de olhos postos em Deus somente naqueles momentos supremos. O seu amor a Deus manifestara-se diariamente no seu comportamento em casa, sempre simples e afável, no exercício da advocacia, e por fim no mais alto cargo público da Inglaterra, como Lord-Chanceler. Cumprindo à risca os seus deveres diários, umas vezes importantes, outras menos, santificou-se e ajudou os outros a encontrar a Deus.

Entre os muitos exemplos de um apostolado eficaz que nos deixou, destaca-se o que levou a cabo com o seu genro, que tinha caído na heresia luterana. “Tive paciência com o teu marido – dizia à sua filha Margaret – e argumentei e debati com ele sobre esses pontos da religião. Dei-lhe além disso o meu pobre conselho paterno, mas vejo que de nada serviu para que voltasse novamente ao redil. Por isso, Meg, não tornarei a discutir com ele, mas vou deixá-lo inteiramente nas mãos de Deus, e vou rezar por ele”7. As palavras e as orações de Tomás More foram eficazes, e o marido da sua filha voltou à plenitude da fé, foi um cristão exemplar e sofreu muito por ter sido conseqüente com a fé católica.

São Tomás More está diante de nós como modelo vivo da nossa conduta de cristãos. É “semente fecunda de paz e de alegria, como o foi a sua passagem pela terra entre a sua família e amigos, no foro, na cátedra, na Corte, nas embaixadas, no Parlamento e no Governo. É também o padroeiro silencioso da Inglaterra, que derramou o seu sangue em defesa da unidade da Igreja e do poder espiritual do Vigário de Cristo. E como o sangue dos cristãos é semente que germina, o de Tomás More vai lentamente penetrando e impregnando as almas dos que dele se aproximam, atraídos pelo seu prestígio, doçura e fortaleza. More será o apóstolo silencioso do retorno à fé de todo um povo”8.

Pedimos a João Fisher e a Tomás More que saibamos imitá-los na sua coerência cristã para sabermos viver em todas as circunstâncias da nossa vida como o Senhor espera que vivamos, nas coisas grandes e nas pequenas. Pedimos com palavras da liturgia da festa: Senhor, Vós que quisestes que o testemunho do martírio fosse expressão perfeita da fé, concedei-nos, Vos pedimos, que por intercessão de São João Fisher e de São Tomás More, ratifiquemos com uma vida santa a fé que professamos com os lábios9.

(1) cfr. A. Prévost, Tomás Moro y la crisis del pensamiento europeo, Palabra, Madrid, 1972, pág. 392; (2) cfr. T. J. McGovern, Tomás Moro, un hombre para la eternidad, Madrid, 1984, págs. 22-23; (3) Roper’s Life of More, cit. por T. J. Govern, op. cit., pág. 31; (4) T. More, Cartas da Torre; (5) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 453; (6) T. More,op. cit.; (7) N. Haspsfield, Sir Thomas More, Londres, 1963, pág. 102; (8) A. Vázquez de Prada, Sir Tomás Moro, 3ª ed., Rialp, Madrid, 1975, págs. 15-16; (9) Oração coleta da Missa do dia 22 de junho.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Não acumuleis tesouros na terra

Concílio Vaticano II
Mensagem aos governantes

«Não acumuleis tesouros na terra»
Neste momento solene, nós, os Padres do XXI Concílio Ecuménico da Igreja Católica, ao dispersarmo-nos depois de quatro anos de oração e de trabalhos, na plena consciência da nossa missão para com a humanidade, dirigimo-nos com respeito e confiança àqueles que têm nas suas mãos o destino dos homens na terra, a todos os depositários do poder temporal.


Nós proclamamos altamente: prestamos honra à vossa autoridade e à vossa soberania; respeitamos a vossa função; reconhecemos as vossas leis justas; estimamos aqueles que as fazem e aqueles que as aplicam. Mas temos uma palavra sagrada a dizer-vos, e é esta: só Deus é grande. Só Deus é o princípio e o fim. Só Deus é a fonte da vossa autoridade e o fundamento das vossas leis.


É a vós que pertence ser na terra os promotores da ordem e da paz entre os homens. Mas não esqueçais: é Deus, o Deus vivo e verdadeiro, que é o Pai dos homens. E é Cristo, o Seu Filho eterno, Quem nos veio dizer e ensinar que somos todos irmãos. É Ele o grande artífice da ordem e da paz na terra, porque é Ele Quem dirige a história humana e o Único que pode levar os corações a renunciar às más paixões que geram a guerra e a infelicidade. É Ele Quem abençoa o pão da humanidade, Quem santifica o seu trabalho e o seu sofrimento, Quem lhe dá alegrias que vós não podeis dar, Quem a reconforta nas dores que vós não podeis consolar. Na vossa cidade terrestre e temporal, Ele constrói misteriosamente a Sua cidade espiritual e eterna, a Sua Igreja.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

NOSSA SENHORA DE FÁTIMA



NO DIA 13 DE MAIO de 1917, por volta do meio-dia, Nossa Senhora apareceu pela primeira vez, numa região do centro de Portugal, a três pastorzinhos – Lúcia, Jacinta e Francisco – que tinham levado as suas ovelhas para pastar numa depressão coberta de azinheiras e de oliveiras que os habitantes do lugar conheciam por Cova da Iria1. A Virgem pediu aos meninos que voltassem ali no dia treze de cada mês, durante seis meses consecutivos. A mensagem que Nossa Senhora foi desfiando ao longo desses meses era uma mensagem de penitência pelos pecados que se cometem diariamente; a recitação do terço por essa mesma intenção; e a consagração do mundo ao seu Imaculado Coração.

Em cada aparição, a doce Senhora insistiu na recitação do terço, e ensinou aos videntes uma oração para que a repetissem muitas vezes, oferecendo a Deus as suas obras e, em especial, pequenas mortificações e sacrifícios: Ó Jesus!..., por teu amor, pela conversão dos pecadores e em reparação das ofensas feitas ao Imaculado Coração de Maria.

Em agosto, a Virgem prometeu um sinal público, visível por todos, como prova da veracidade dessas mensagens, e no dia 13 de outubro aconteceu o chamado prodígio do sol. Dezenas de milhares de peregrinos, presentes na Cova da Iria, foram testemunhas desse fato extraordinário, que chegou a ser visto por pessoas que estavam a muitos quilômetros do lugar. Nossa Senhora declarou então aos meninos que era a Virgem do Rosário. Também lhes disse: "É preciso que os homens se emendem, que peçam perdão dos seus pecados e não ofendam mais a Nosso Senhor, que já é muito ofendido".

O Papa João Paulo II, recordando a sua peregrinação a Fátima, onde esteve "com o terço na mão, o nome de Maria nos lábios e o canto de misericórdia no coração", para dar graças a Nossa Senhora por ter saído com vida do atentado sofrido no ano anterior, sublinhou que "as aparições de Fátima, comprovadas por sinais extraordinários em 1917, vêm a ser como que um ponto de referência e de irradiação para o nosso século. Maria, nossa Mãe celestial, apareceu para sacudir as consciências, para iluminar o autêntico significado da vida, para estimular à conversão do pecado e ao fervor espiritual, para inflamar as almas de amor a Deus e de caridade com o próximo. Maria veio socorrer-nos, porque muitos, infelizmente, não querem acolher o convite do Filho para regressarem à casa do Pai.

"Do seu Santuário de Fátima, Maria renova ainda hoje o seu apelo materno e premente: a conversão à Verdade e à Graça; a vida sacramental, especialmente a Penitência e a Eucaristia, e a devoção ao seu Coração Imaculado, acompanhada pelo espírito de penitência"2.

Hoje podemos perguntar-nos como anda a nossa correspondência às freqüentes inspirações do Espírito Santo para que purifiquemos a alma, como desagravamos o Senhor pelos pecados pessoais e pelos de todos os homens, como rezamos o terço – especialmente neste mês de maio –, oferecendo-o por "intenções ambiciosas", pedindo que muitos amigos e colegas se aproximem novamente de Cristo.

"A MENSAGEM DE FÁTIMA é, no seu núcleo fundamental, uma chamada à conversão e à penitência [...]. A Senhora da mensagem parecia ler com uma perspicácia especial os sinais dos tempos, os sinais do nosso tempo"3. Hoje, na nossa oração, chega-nos essa voz doce, maternal, e ao mesmo tempo enérgica e decidida da Virgem, que é premente, como que dirigida pessoalmente a cada um de nós.

Sabemos bem como ao longo de todo o Evangelho ressoam as palavras: Arrependei-vos e fazei penitência4. Jesus começará a sua missão pedindo penitência: Fazei penitência, porque o Reino dos Céus está próximo5. E acrescentará noutra ocasião: "Se não fizerdes penitência, todos perecereis"6. É por isso que a pregação desta virtude ocupará também um lugar essencial na mensagem que os Apóstolos irão difundir, recém-nascida a Igreja7. Todo o tempo da Igreja peregrina, no qual nos encontramos, configura-se como spatium verae poenitentiae, um tempo de verdadeira penitência concedido pelo Senhor para que ninguém pereça8.

A penitência é necessária porque existe o pecado, porque é preciso reparar tantas faltas e fraquezas pessoais e dos nossos irmãos os homens, e porque ninguém, sem um privilégio especial e extraordinário, está confirmado na graça, antes deve ter uma consciência muito viva de que é um pecador. O Cura d'Ars costumava dizer que a penitência nos é tão necessária para a alma como a respiração para o corpo9.

A primeira manifestação desta virtude é o amor à confissão freqüente, que nos leva a desejá-la e a vivê-la com esmero, com uma contrição verdadeira das nossas faltas atuais e passadas. A virtude da penitência deve também estar presente de alguma maneira nas ações correntes de todos os dias: "no cumprimento exato do horário que marcaste, ainda que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se em sonhos quiméricos. Penitência é levantar-se na hora. E também não deixar para mais tarde, sem um motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou trabalhosa.

"A penitência está em saberes compaginar todas as tuas obrigações – com Deus, com os outros e contigo próprio –, sendo exigente contigo de modo que consigas encontrar o tempo de que cada coisa necessita. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares esgotado, sem vontade ou frio.

"Penitência é tratar sempre com a máxima caridade os outros, começando pelos da tua própria casa. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes, os que padecem. É responder com paciência aos maçantes e inoportunos. É interromper ou modificar os programas pessoais, quando as circunstâncias – sobretudo os interesses bons e justos dos outros – assim o requerem.

"A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades da jornada: em não abandonares a tua ocupação, ainda que de momento te tenha passado o gosto com que a começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem importunar ninguém com caprichos.

"Penitência, para os pais e, em geral, para os que têm uma missão de governo ou educativa, é corrigir quando é preciso fazê-lo, de acordo com a natureza do erro e com as condições de quem necessita dessa ajuda, sem fazer caso de subjetivismos néscios e sentimentais.

"O espírito de penitência leva a não nos apegarmos desordenadamente a esse bosquejo monumental de projetos futuros, em que já previmos quais serão os nossos traços e pinceladas mestras. Que alegria damos a Deus quando sabemos renunciar às nossas garatujas e broxadas de mestrinho, e permitimos que seja Ele a acrescentar os traços e as cores que mais lhe agradem!"10 Que maravilhosa obra-prima não surge então, com a ajuda da graça, aos olhos de Deus!


UMA PARTE DA MENSAGEM de Fátima era o desejo da Virgem de que se consagrasse o mundo ao seu Coração Imaculado. Onde haverá de estar mais seguro o mundo? Onde estaremos mais bem defendidos e amparados? Esta consagração "significa aproximarmo-nos, por intercessão da Mãe, da própria fonte da Vida, que brotou do Gólgota. Esta fonte corre ininterruptamente, e dela jorram a Redenção e a graça. Nela se realiza constantemente a reparação dos pecados do mundo. Este manancial é fonte incessante de vida e de santidade"11.

Pio XII (cuja ordenação episcopal teve lugar precisamente a 13 de maio de 1917, dia da primeira aparição) consagrou o gênero humano e especialmente os povos da Rússia ao Coração Imaculado de Maria12. João Paulo II quis renová-la e a ela podemos unir-nos hoje: "Ó Mãe dos homens e dos povos, Vós que conheceis todos os seus sofrimentos e esperanças, Vós que sentis maternalmente todas as lutas entre o bem e o mal, entre a luz e as trevas que invadem o mundo contemporâneo, acolhei este clamor que, como que movidos pelo Espírito Santo, elevamos diretamente ao vosso coração, e abraçai com o amor da Mãe e da Serva este nosso mundo, que colocamos sob a vossa confiança e Vos consagramos, cheios de inquietação pela sorte terrena e eterna dos homens e dos povos.

"De modo particular, colocamos sob a vossa confiança e Vos consagramos os homens e nações que necessitam especialmente desta consagração. Sob a vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as súplicas que Vos dirigimos nas nossas necessidades!

"Não as desprezeis!

"Acolhei a nossa humilde confiança e entrega!"13

Santa Maria, sempre atenta ao que lhe pedimos, fará com que encontremos refúgio e amparo no seu Coração Puríssimo.



(1) C. Barthas, Fátima, Aster, Lisboa, pág. 426; (2) João Paulo II, Angelus, 26-VII-1987; (3) idem, Homilia em Fátima, 13-V-1982; (4) cfr. Mc 1, 15; (5) Mt 4, 17; (6) Lc 13, 3; (7) cfr. At 2, 38; (8) cfr. 2 Pe 3, 9; (9) Cura d'Ars, Sermão sobre a Penitência; (10) Josemaría Escrivá, Amigos de Deus, n. 138; (11) João Paulo II, Homilia em Fátima, 26-VII-1987; (12) Pio XII, Radio-mensagem Benedicite Deum, 31-X-1942; (13) João Paulo II, Consagração à Virgem de Fátima, 13-V-1982.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

O grão de mostarda, por São Cromácio de Aquiléia

São Cromácio de Aquiléia (? – 407), bispo
Sermão 30, 2 (a partir da trad. SC 164, p.137)

A semente lançada à terra dá muito fruto (Jo 12, 24)

O Senhor comparou-Se a Si mesmo a um grão de mostarda: ainda que fosse o Deus da glória e da majestade eterna, tornou-Se muito pequeno, porque quis nascer de uma virgem com um corpo de criança pequena. Foi lançado à terra quando o Seu corpo foi posto no túmulo. Mas, depois de Se ter elevado de entre os mortos pela Sua gloriosa ressurreição, cresceu sobre a terra até Se tornar uma árvore em cujos ramos habitam os pássaros do céu.

Esta árvore significa a Igreja que a morte de Cristo ressuscitou na glória. Os seus ramos só se podem entender como sendo os apóstolos porque, tal como os ramos são o ornamento natural da árvore, assim os apóstolos são o ornamento da Igreja de Cristo pela beleza da graça que receberam. E diz-se que nestes ramos habitam os pássaros do céu. Alegoricamente, os pássaros do céu designam-nos a nós que, vindo à Igreja de Cristo, descansamos sobre o ensino dos apóstolos, como os pássaros sobre os ramos.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

São Tomás de Aquino, Doutor Angélico


Nasceu por volta de 1225 no castelo de Roccaseca, perto de Montecassino, na Itália. Estudou primeiro na abadia beneditina desse lugar e depois em Nápoles; aos vinte anos, entrou na Ordem dos Pregadores, apesar da forte oposição familiar. Foi mestre de Filosofia e Teologia em Roma, Nápoles, Viterbo e, principalmente, em Colônia e Paris. Partindo da filosofia de Aristóteles, da teologia de Santo Agostinho e da Sagrada Escritura, elaborou uma síntese teológica abrangente. A sua grande piedade transparece de modo especial nos seus sermões e no Ofício que compôs para a festa do Corpus Christi. Desde a sua morte, o Magistério da Igreja adotou a sua doutrina “por estar mais conforme que nenhuma outra com as verdades reveladas, os ensinamentos dos Santos Padres e a reta razão” (João XXIII). A sua autoridade doutrinal é reconhecida universalmente.

Morreu perto de Terracina no dia 7 de março de 1274, quando se dirigia para o Concílio de Lyon. A sua festa celebra-se no dia em que o seu corpo foi trasladado para Toulouse, no ano de 1639. Foi canonizado e declarado Doutor da Igreja em 1323.

Um dia, estando em oração, ouviu a voz de Jesus crucificado que lhe dizia: “Escreveste bem sobre mim, Tomás; que recompensa queres pelo teu trabalho?” E ele respondeu: “Senhor, nada senão Vós mesmo”. Era mais uma manifestação da sua sabedoria e santidade, que nos mostra o que devemos pedir e desejar, por cima de todas as coisas.

(Fonte: Hablar Con Dios, Francisco Fernández Carvajal)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Os Dois Nascimentos de Cristo

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo Sermão 10, sobre o Natal do Senhor, PL 57, 24 (a partir da trad. Année en fêtes, Migne 2000, p. 78 rev.)

«Nascido do Pai antes de todos os séculos [...] fez-Se homem [...] e nasceu da Virgem Maria (Credo)


Caríssimos irmãos, há dois nascimentos em Cristo, e tanto um como o outro são a expressão de um poder divino que nos ultrapassa absolutamente. Por um lado, Deus gera o Seu Filho a partir de Si mesmo; por outro, Ele é concebido por uma virgem por intervenção de Deus. [...] Por um lado, Ele nasce para criar a vida; por outro, para eliminar a morte. Ali, nasce de Seu Pai; aqui, é trazido ao mundo pelos homens. Por ter sido gerado pelo Pai, está na origem do homem; por ter nascido humanamente, liberta o homem. Uma e outra formas de nascimento são propriamente inexprimíveis e ao mesmo tempo inseparáveis. [...]


Quando ensinamos que há dois nascimentos em Cristo, não queremos com isto dizer que o Filho de Deus nasça duas vezes; mas afirmamos a dualidade de natureza num só e mesmo Filho de Deus. Por um lado, nasceu Aquele que já existia; por outro, foi produzido Aquele que ainda não existia. O bem-aventurado evangelista João afirma isto mesmo com as seguintes palavras: «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus»; e ainda: «E o Verbo fez-Se homem».


Assim, pois, Deus, que estava junto de Deus, saiu Dele, e a carne de Deus, que não estava Nele, saiu de uma mulher. Assim, o Verbo fez-Se carne, não de maneira que Deus Se diluísse no homem, mas para que o homem fosse gloriosamente elevado em Deus. É por isso que Deus não nasce duas vezes; mas, por estes dois géneros de nascimentos – a saber, o de Deus e o do homem –, o Filho único do Pai quis ser, a um tempo, Deus e homem na mesma pessoa: «E quem poderá contar o Seu nascimento?» (Is 53, 8 Vulg)

(fonte Evangelho Quotidiano)

Feliz 2011!

Recebi essa mensagem e achei muito bonita. Não sei o autor.

Em Cristo,


Você pode ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não se esqueça de que sua vida é a maior empresa do mundo.

Só você pode evitar que ela vá à falência. Há muitas pessoas que precisam, admiram e torcem por você.


Gostaria que você sempre se lembrasse de que ser feliz não é ter um céu sem tempestades, caminhos sem acidentes, trabalhos sem fadigas, relacionamentos sem decepções. Ser feliz é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, segurança no palco do medo, amor nos desencontros.


Ser feliz não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza.


Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos.


Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.


Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, Incompreenções e períodos de crise. Ser feliz não é uma fatalidade do destino, mas uma conquista de quem sabe viajar para dentro do seu próprio ser.


Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.


É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma e agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.


Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.


É saber falar de si mesmo.


É ter coragem para ouvir um "não".


É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.


É beijar os filhos, curtir os pais e ter momentos poéticos com os amigos, mesmo que eles nos magoem.


Ser feliz é deixar viver a criança livre, alegre e simples que mora dentro de cada um de nós.


É ter maturidade para falar "eu errei". É ter ousadia para dizer "me perdoe".


É ter sensibilidade para expressar "eu preciso de você". É ter capacidade de dizer "eu te amo".


Desejo que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz...


Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.


Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria.


E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo, pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida.


E descobrirá que...


Ser feliz não é ter uma vida perfeita.


Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.


Usar as perdas para refinar a paciência.


Usar as falhas para esculpir a serenidade.


Usar a dor para lapidar o prazer.


Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.


Jamais desista de si mesmo!!!


Jamais desista das pessoas que você ama.


Jamais desista de ser feliz, pois a vida é um espetáculo imperdível. E você é um ser humano especial !!!!!


"Nunca esqueçam que nenhum de nós é tão bom quanto todos nós juntos"


Feliz 2011 com muita saúde, felicidades e sucesso!

domingo, 17 de outubro de 2010

O aborto da Fé

Irmãos, a PAZ!

Hoje, logo cedo, me deparei com 3 notícias que me fizeram ficar meditando o dia todo com certa preocupação.

A primeira dizia que numa pesquisa recente do Datafolha, Dilma teria 51% de preferência entre Católicos, contra 38% de Serra. Já entre Evangélicos, o quadro era exatamente oposto.

Minha primeira reação foi a de extrema tristeza. Logo agora, onde surpreendentemente o Brasil se voltava à motivos de moral e fé na escolha de seu próximo Presidente, onde o aborto finalmente tomou o lugar que deve no debate político, guiando o tom das campanhas, exatamente àqueles que deveriam estar ao lado la Igreja e da fé não estão.

Deixo aqui meus cumprimentos aos irmãos Evangélicos que levam nota 10 no quesito comunidade e identidade. Mas eu deveria estar surpreso com a hipocrisia do Catolicismo brasileiro?

Foi quando li dois emails seguidos: o primeiro era enfático, com cobertura da própria Folha de São Paulo (e divulgação plena dos blogueiros petralhas), que Mônica Serra já teria feito um aborto.

Fiquei perplexo que uma questão delicada e de cunho totalmente pessoal seja tratado dessa forma como a atingir o candidato tucano. Um boato de uma suposta ex-aluna de Mônica - que deveria levar o leitor a ter piedade por aquela que teria feito o aborto - mas que não, usava de forma baixa como forma a dar o entendimento que seu marido não acreditava no que pregava.

Antes mesmo de, mais tarde, ficar sabendo - não surpreendentemente - que tal boato era falso, pelo blog do sempre atendo Reinaldo Azevedo, a passagem me occoreu:

“Não levantarás um boato falso; não darás tua mão ao perverso para levantar um falso testemunho. Não seguirás o mau exemplo da multidão" (Ex 32, 1-2)

Finalmente, o último fato, no segundo email, que um suposto padre (Otto Dana - "Um grito contra as trevas"), se dizia preplexo que questões como o aborto e o homossexualismo estivessem sendo focos do debate atual e que não deveriam.

Dizia coisas do tipo:

"Deus do céu! Que atraso! Que tiririquice! Pra começar, arbitrar sobre aborto e formas de casamento é da competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República, que apenas sanciona ou veta a disposição do Congresso. Além do mais, aborto e casamento gay nem estão em pauta de discussão, hoje. Mais importante e pertinente agora é ouvir dos candidatos suas propostas e projetos ..."
Sem comentários.

Ainda tenho dúvidas que o tal Padre Otto, que, ao que parece existe mesmo na região de Piracicaba, mas cujos escritos anteriores que pude encontrar em nada lembram tal texto esdrúxulo, o tenha escrito. Mas ainda que o tenha - e que Deus o dê alguma Fé pois o mesmo perdeu completamente, não me surpreenderia devido à quantidade assustadora de liberais de apóstatas dentro de nossa Santa Igreja (a fumaça do inferno que profetizara o Beato João XXIII), não me faz mais nada
do que ter piedade - e muita - dele. Orei por ele na Missa de hoje.

Aliás, Evangelho este que nos questiona - pelo próprio Cristo - "Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?" (Lucas 18,8)

Nosso país à muito perdeu seus valores, e agora aborta a fé Cristã, Católica, Verdadeira.

Prefiro ficar com o ensinamento da Santa Igreja, com os tantos Bispos e padres que ainda guardam a fé, como a Regional Sul de São Paulo que denuncia o PT. Ou ainda o meu sempre favorito Padre Paulo Ricardo, que em mais um vídeo sensacional nos esclarece - com fatos e não calúnias - da Verdade que muitos não vêem.

NÃO PERCA O FOCO!!



É o que desejo a todos vocês que lerem este post. Mantenham o foco - o foco no Cristo e em Sua Igreja.

Que São Miguel nos proteja, Nossa Senhora de Guadalupe nos ampare, e que Deus nos livre de todo o mal.

Em Cristo,