quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Que palavra é esta?


Cardeal José Ratzinger (Papa Bento XVI)
Sermões de Quaresma, 1981

"Que palavra é esta?"


O instante a que a Bíblia chama "o princípio" mostra-nos Aquele que tinha o poder de criar o ser e de dizer: "Faça-se!" e isso ser feito (Gn 1,1-3)... Essa palavra "Faça-se!" não gerou um magma caótico. Quanto mais conhecemos o universo, mais encontramos nele uma racionalidade cujos caminhos, ao serem percorridos pelo pensamento, nos deixam maravilhados. Através deles, descobrimos esse Espírito criador a quem devemos igualmente a razão. Albert Einstein escreveu que, nas leis da natureza, "se manifesta uma razão tão superior que toda a racionalidade do pensamento e da vontade humana parece ser, por comparação, um reflexo absolutamente insignificante".

Constatamos que o infinitamente grande, o universo das estrelas, é regido pelo poder de uma Razão [Logos]. Mas aprendemos igualmente cada vez mais acerca do infinitamente pequeno, a célula, os elementos fundamentais do ser vivo. Também aí descobrimos uma racionalidade que nos espanta, de tal forma que temos de dizer, com S. Boaventura: "Quem não vê isso, é cego. Quem não o ouve, é surdo. E quem não começa a rezar e a louvar o Espírito criador, é mudo"...

Através da racionalidade da criação, o próprio Deus nos olha. A física e a biologia, todas as ciências em geral, nos ofereceram uma nova e inaudita narrativa da criação. Essas imagens grandes e novas fazem-nos conhecer o rosto do Criador. Recordam-nos que, no princípio, e no mais profunco de cada ser, está o Espírito criador. O mundo não saíu das tevas e do absurdo. Brotou da inteligência, da liberdade, da beleza que é amor. Ver tudo isto dá-nos a coragem que nos permite viver e nos torna capazes de, com confiança, tomar sobre os nossos ombros a aventura da vida.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Oração pelo dia de Trabalho

Oração pelo dia de Trabalho

Deus Pai, logo cedo invocamos o Vosso Nome,
e Vos oferecemos este dia de trabalho,
rogamos Vossa benção e proteção sobre nós.
Pedimos que envieis Vosso Espírito Santo sobre nós,
para que Ele nos ensine as coisas de acordo com a Vossa vontade.

Que Ele nos dê sabedoria, discernimento e alegria,
e que, desta forma, nosso trabalho prospere,
e que todos possam usufruir desta prosperidade e sentir
Vossa presença em nós.

Nós vos agradecemos, louvamos e bendizemos,
Pai, em nome de Vosso Filho,
que veio ao mundo para nos salvar.

Amém

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Os ricos salvar-se-ão?


Clemente de Alexandria (150-c.215), teólogo
Homilia: «Os ricos salvar-se-ão?»

«Bem-aventurados os pobres em espírito» (Mt 5, 3)


Não se trata de rejeitar os bens susceptíveis de ajudar o próximo. É da natureza das posses serem possuídas; como é da natureza dos bens difundir o bem; Deus destinou-os ao bem-estar dos homens. Os bens estão nas nossas mãos como ferramentas, como instrumentos dos quais retiramos bom uso, se soubermos manipulá-los. [...] A natureza fez das riquezas escravas, e não senhoras. Não se trata, pois, de as depreciar porque, em si mesmas, não são boas nem más, mas perfeitamente inocentes. Só de nós depende o uso, bom ou mau, que delas fizermos; o nosso espírito, a nossa consciência, são inteiramente livres para disporem à sua vontade dos bens que lhes foram confiados. Destruamos, pois, não os nossos bens, mas a cobiça que lhes perverte o uso. Quando nos tivermos tornado virtuosos, saberemos usá-los com virtude. Compreendamos que esses bens dos quais nos mandam desfazermo-nos são os desejos desregrados da alma. [...] Nada lucrais em largar o dinheiro que tendes, se continuardes a ser ricos em desejos desregrados. [...]

Eis de que forma concebe o Senhor o uso dos bens exteriores: temos de nos desfazer, não de um dinheiro que nos permite viver, mas das forças que nos levam a usá-lo mal, ou seja, das doenças da alma. [...] Temos de purificar a nossa alma, isto é, de a tornar pobre e nua, para nesse estado ouvirmos o chamamento do Salvador: «Vem e segue-Me». Ele é o caminho que percorre aquele que tem o coração puro. [...] Este considera que a fortuna, o ouro, a prata, as casas que possui, que tudo isso são graças de Deus, e mostra-Lhe o seu reconhecimento socorrendo os pobres com os seus próprios fundos. Ele sabe que possui esses bens, mais para os irmãos do que para si mesmo; longe de se tornar escravo das suas riquezas, é mais forte do que elas; não as encerra na sua alma. [...] E, se um dia o dinheiro lhe desaparecesse, aceitaria a ruína com a felicidade dos melhores dias. É esse o homem, afirmo eu, que Deus considera bem-aventurado e a quem chama «pobre em espírito» (Mt 5, 3), herdeiro certo do Reino dos Céus, que está fechado àqueles que não souberam desprender-se da sua opulência.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Marta e nós


Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 104

«Uma mulher chamada Marta recebeu-O em sua casa»


Na eternidade, havemos de nos sentar à mesa. Não me atreveria a dizê-lo, se não tivesse sido o Senhor a prometê-lo. Ele promete uma grande recompensa aos Seus servos, a quem diz: «Cingir-se-á, mandará que se ponham à mesa e servi-los-á» (Lc 12, 37). [...] Grande é, pois, a promessa, e feliz o seu cumprimento. Comportemo-nos de maneira a merecê-la; deixemo-nos ajudar a chegar ao local onde o Senhor nos servirá à mesa.

O que será essa refeição, a não ser um repouso? E o que significa «servi-los-á», a não ser que Ele nos saciará? Com que alimento e com que bebida? Certamente, com a própria verdade. [...] Não acreditas que Deus possa alimentar-te dessa maneira, quando já é assim que o teu olho se sacia de luz? Seja vista por muitos ou por poucos, a luz brilha sempre com a mesma intensidade, espalhando conforto, sem nunca faltar, sem diminuir com o uso. [...] Por que não compreendeis ainda? Porque andais ocupados com muitas coisas. É o trabalho de Marta que vos ocupa – mais ainda, que nos ocupa a todos. Pois ninguém está dispensado deste trabalho de assistência. [...]

É por isso, meus queridos, que vos peço e vos exorto [...]: desejemos juntos esta vida. Corramos para ela todos juntos, para nela permanecermos à chegada. Está a chegar a hora, e essa hora será sem fim, em que o Senhor nos fará sentar à mesa para nos servir. E que nos servirá, a não ser Ele mesmo? Por que quereis saber o que comereis? Será o próprio Senhor que comereis. [...] «Uma só coisa pedi ao Senhor, ardentemente a desejo: poder sentar-me na casa do Senhor todos os dias da minha vida, contemplando a beleza do Senhor» (Sl 27, 4) [...] Não tenhamos o gosto dos alimentos carnais [...], pois eles passarão. Se queres ser como Marta e dedicar-te aos mesmos ofícios, fá-lo com moderação e misericórdia. [...] O trabalho passa, e virá o repouso, mas só se chega ao repouso pelo trabalho. O navio passa e chega-se à pátria, mas só se chega à pátria no navio. Estou, porém, seguro de que não havemos de naufragar, porque somos transportados pelo madeiro da cruz.


segunda-feira, 28 de julho de 2008

São Vítor I - Papa, Mártir


Vítor I nasceu África. É algo incerta a cronologia deste papa. Alguns, seguindo o historiador Eusébio, fazem-no reinar até o ano 202. Teria morrido mártir na quinta perseguição, que foi movida nesse ano pelo imperador Sétimo Severo, ou então pouco antes, numa sublevação de pagãos. Declarou que água comum, de fonte, de poço, de chuva, do mar, etc... pode, no caso de necessidade, servir para a administração do babtismo. Isto prova que já era costume, em tempo de paz, usar-se a água benta com a celebração do baptismo. Sob S. Vítor a questão da data pascal, de novo agitada, deu mais brilho à supremacia do Bispo de Roma. A Igreja conservara do ritual judaico o uso de se consagrarem a Deus vários dias festivos. O sábado (a festa semanal judaica) foi cedo substituído pelo domingo em memória do dia da Ressurreição do Senhor. As festas hebraicas caíram em desuso, menos Pentecostes e Páscoa. Por esta é que se estabelecia todo o calendário judaico cristão. Na Ásia era a Páscoa celebrada no 14º dia do plenilúnio de março. Em Roma pretendia-se que a festa fosse sempre num domingo. O papa, examinando a opinião das demais Igrejas, fixou a Páscoa para o domingo seguinte ao 13º dia do plenilúnio de março. Mais tarde, 130 anos depois, o memorável Concílio de Nicéia (325) deu plena razão a S. Vítor.

(fonte: Evangelho Quotidiano)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bíblia mais antiga agora online


A versão impressa mais antiga do Novo Testamento - o Codex Sinaiticus - acaba de ser parcialmente digitalizado e disponível online.

O manuscrito de mais de 1600 anos de idade, vem sendo digitalizado há 3 anos, em 4 países diferentes (Inglaterra, Russia, Egito e Alemanha, pela Biblioteca Britânica.

Originalmente pertencente ao Mosteiro de Santa Catarina, em Sinai, no Egito, o Codex inclui, além do Novo Testamento completo, 14 livros Deuterocanônicos do Antigo Testamento que são omitidos em versões mais modernas de Bíblias Protestantes, além de dois livros Apócrifos (A "Epístola de Barnabé" e "O Pastor de Hermas", dos primeiros séculos), citados pelos Santos Padres.

(Originalmente noticiado na CNN)



segunda-feira, 14 de julho de 2008

Santo Agostinho - amor a Deus; amor aos homens

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (norte de África) e doutor da Igreja
Sermão 344, §2-3

«Quem amar o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim.»


É aos que se encontram abrasados de amor, ou antes, àqueles que deseja abrasar neste amor, que o Salvador dirige estas palavras. Nosso Senhor não destruiu, antes ordenou, o amor que se deve ter aos pais, à esposa, aos filhos. Ele não disse: «Quem os amar», mas «Quem os amar mais do que a Mim». [...] Ama teu pai, mas ama mais o Senhor; ama aquele que te trouxe à luz do dia, mas ama mais ainda Aquele que te criou. O teu pai trouxe-te à luz do dia, mas não te criou, porque, ao gerar-te, não sabia quem serias nem o que virias a ser. O teu pai alimentou-te, mas não é a fonte do pão que te matou a fome. E o teu pai terá de morrer para que tu herdes os seus bens, mas terás parte na herança que Deus te destina se permaneceres com Ele para sempre.

Ama, pois, teu pai, mas não mais do que a Deus; ama tua mãe, mas ama ainda mais a Igreja, que te gerou para a vida eterna. [...] Com efeito, se deves sentir-te profundamente reconhecido àqueles que te geraram para uma vida mortal, que amor não deves ter por aqueles que te geraram para a eternidade? Ama tua esposa, ama os teus filhos segundo Deus, para os levares a servir a Deus contigo; e, quando estiverdes todos reunidos, não receareis ser separados. Quão imperfeito seria o amor que tens à tua família, se não te conduzisse a Deus. [...]

Toma a cruz e segue o Senhor. O teu Salvador, embora sendo Deus encarnado, revestido da tua carne, tinha sentimentos humanos quando disse: «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice» (Mt 26, 39). [...] A natureza de servo de que Se revestiu por ti fez ouvir a voz do homem, a voz da carne. Ele assumiu a tua voz, a fim de exprimir a tua fraqueza, e de te dar Sua força [...], a fim de te mostrar que vontade deves preferir.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O início do fim

Como reporta a Folha de hoje, o país dá mais um passo atrás na luta pela vida. Apesar de ter ganho uma importante batalha na luta contra o aborto, os ministros do Supremo demonstram desconhecimento e falta de moral e ética ao permitir, por 6 votos a 5, que vidas humanas sejam destruídas para pesquisas de células tronco embrionárias..

Mesmo com amplas evidências do fracasso desse tipo de pesquisa pelo mundo e do sucesso nas pesquisas com células tronco adultas e de animais, o país mais uma vez mostra sua cara, ignorante e socio-comunista, retrato do governo que aí está.

A CNBB se posicionou contra a decisão.

"Reafirmamos que o simples fato de estar na presença de um ser humano exige o pleno respeito à sua integridade e dignidade: todo comportamento que possa constituir uma ameaça ou uma ofensa aos direitos fundamentais da pessoa humana, primeiro de todos o direito à vida, é considerado gravemente imoral."

Que Nsa de Guadalupe, protetora da vida, nos proteja.




sábado, 24 de maio de 2008

Recebendo a Eucaristia - na boca e de joelhos, diz o Papa


Conforme reportado pela Catholic News Services, durante a cerimônia de Corpus Christi celebrada pelo Santo Papa Bento XVI, cerca de 40 pessoas receberam o Corpo e o Sangue de Cristo de joelhos e na boca. Apesar do comentário de alguns oficiais do Vaticano que o gesto pode ou não marcar uma mudança permanente, o Papa deixou claro em sua homilia:
"Ajoelhar-se diante do Senhor, adoração que inicia-se na própria Missa e na procissão (de Corpus Christi nas ruas de Roma). Adorar o Corpo de Cristo significa acreditar que lá, naquele pedaço de pão, é realmente Cristo que traz sentido às nossas vidas"
Vida longa ao Santo Papa! Em Cristo,



quinta-feira, 24 de abril de 2008

São Padre Pio



Em foto de hoje (24 de Abril de 2008), o corpo de São Padre Pio é venerado por dezenas de milhares de fiéis na igreja São Giovanni Rotondo, pela primeira vez desde a sua morte 40 anos atrás.
(Fonte: Spirit Daily e M&C - mais imagens e fonte aqui)